quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Lost!

Just because I'm losing
Doesn't mean I'm lost
Doesn't mean I'll stop
Doesn't mean I'm across

Just because I'm hurting
Doesn't mean I'm hurt
Doesn't mean I didn't get what I deserved
No better and no worse

I just got lost!
Every river that I tried to cross
Every door I ever tried was locked
Ohhh and I'm just waiting 'til the shine wears off

You might be a big fish
In a little pond
Doesn't mean you've won
'Cause along may come
A bigger one

And you'll be lost!
Every river that you tried to cross
Every gun you ever held went off
Ohhh and I'm just waiting until the firing's stopped
Ohhh and I'm just waiting 'til the shine wears off

Ohhh and I'm just waiting 'til the shine wears off
Ohhh and I'm just waiting 'til the shine wears off

Coldplay

domingo, 19 de setembro de 2010

Gargalhadas

Pra que buscar recaída,
Reviver o drama,
Mexer na ferida?
Por onde se engana o coração
Se encontra a saída pra vida

Tempo de ver que é maldade
Martelar as horas no chão da saudade
Embora agora a contradição,
O tempo que pôs essa dor nessa conta
É quem desconta
Passa e te aponta o ponto de...

Sorrir mais
Soltar gargalhadas
Deixar pra trás
O que te entristece
Tece teus ais
Rir mais
Soltar gargalhadas
Deixar pra trás
O que te entristece
Tece teus ais


5 à seco

Composição: Pedro Viáfora / Pedro Altério

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Credor

Ela disse assim: "Pára. Não quero mais nada com você. Não lhe devo nada, por favor, não faça como se eu devesse."
Vadia.
Como alguém pode dizer uma coisa dessas? Como alguém, depois de acabar um relacionamento de maneira tão súbita da maneira como acabou, pode dizer em sã consciência que não deve nada ao outro? Não, não, eu digo que ela me deve muito. E estou aqui para cobrar.
A começar, devolva-me o tempo que perdi planejando nosso futuro. Planejando com todo o cuidado as nossas noites juntas, o que lhe diria ao talvez pedir sua mão, as nossas férias pra esse janeiro, a comida da semana que vem. Devolva-me também o relógio que lhe dei no último natal, pra você ser um pouco menos avoada, ser menos perdida no tempo e espaço, pra não perder a hora dos nossos encontros ou das suas consultas médicas.
Devolva-me as canções que fiz pensando em você, as melodias que me soam completamente desafinadas agora, minhas tentativas vãs de te fazer aprender a tocar violão, seus dedos correndo o braço desengonçados, a maneira como você escondia a cabeça no violão, depois levantava sorrindo e dizia "toma, vai. não consigo". Devolva-me a maneira como me sentia bem ao tocar para mim mesmo velhas composições, como me sentia respeitando grandes nomes da música ao tocar sem errar uma nota suas letras de amor. Devolva-me também meu caderno de rabiscos musicais e, se não for pedir muito, devolva-me minha coletânea de MPB que eu guardei com todo o cuidado e que você sempre desarrumava querendo saber o nome de tal música.
Devolva minha solidão ao dormir, meu costume de dormir em qualquer lado da cama sem me sentir mal. Devolva-me o ar do colchão que levaste e deixaste o seu lado amassado dando uma sensação patética de vazio. Devolva-me também meus tampões que usavas pra não ter que me ouvir roncar.
Devolva minha vontade de chegar em casa e descansar sozinho. Devolva minha habilidade de cozinhar e de gostar da comida que cozinho quando chego do trabalho. Devolva meu prazer de sentar à mesa e não ter de ouvir seus lamentos e suas histórias do dia. Devolva meu prazer de não contar à ninguém sobre meu dia, só aos fins de semana, no bar com meus amigos. Devolva meu cheiro às minhas coisas, tire daqui seu perfume que empesteou meu lar, meu nariz, enevoou meus sentidos. Devolva também aquele meu livro favorito, que você sempre esquecia de me devolver.
Devolva meus sorrisos, minha alegria de viver, de me sentir pertencendo à este mundo. Devolva meu prazer de acordar todas as manhãs para fazer o que quer que eu tenha que fazer. Devolva minha indiferença ao ver casais de mãos dadas nas ruas, falando sabe-se-lá-o-quê ao pé do ouvido, se beijando tão apaixonados. Devolva meus risos sinceros, devolva meu gosto por abraçar outras pessoas que não sejam você. Devolva minha vontade de beijar outras mulheres até mais bonitas que você. Devolva meu coração - por favor, devolva meu coração para que eu possa dá-lo à alguém que o consertará. Que cuidará dele da maneira como você cuidou tão bem, mas que não o jogará na parede ou deixará escorrer pelas mãos, caindo em câmera lenta e se partindo em milhares de pedacinhos no chão. Que o deixará seguro na prateleira, no travesseiro ou dentro da bolsa que usa todo dia. Que o guardará junto ao seu coração e que cumprirá a promessa de tê-lo inteiro até o fim.
Devolva-me.

Por: Maýra A.
http://des-confidencial.blogspot.com

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

E fim

Será que dá pra recomeçar do fim?
Fazer da parede um mosaico
Com fotos que rasguei?
Transformar meu rancor
De volta no teu abraço protetor?
Fazer do meu silêncio,
Aquela música preferida
E da minha lágrima,
Sua risada mais bonita?
Estamos remendados.
Agora já não posso fazer nada.
Vou deixar o céu se fazer noite,
Negra e estrelada.
E esperar a tristeza.
Mas uma hora dessas o sol vai chegar.
O pior mesmo é saber
E é exatamente aí que
Eu não vou ter mais nada de você.

Por: Marina Flora

domingo, 8 de agosto de 2010

Descoberta

Sai, que já não te quero mais
Sai, porque hoje eu descobri
Que posso viver sem ti
Que posso viver em paz
Muito bem sem teu amor
Sai, porque agora eu sou
Um homem bem mais feliz
Um homem bem mais feliz

Vai, que hoje a lágrima não cai
Sei agora o mal que faz
Dar amor a quem não ama
Dar amor a quem só traz
Ódio e desilusão
Que maltrata um coração
Precisando de carinho
Precisando de carinho

Minha amada
Não consigo mais viver ao lado teu
Não consigo mais te dar o meu amor
Hoje vivo muito bem sem tua boca
E sozinho não conheço mais a dor
(2x)

Los Hermanos - Composição: Marcelo Camelo

terça-feira, 27 de julho de 2010

“Por mais elegante, chique e bem comportada que uma mulher seja, ela vai se descabelar toda por causa de um vagabundo. É, ela vai descer do salto quando tiver ciúmes, vai chorar litros de lágrimas quando brigar com ele, vai dizer palavrões, coisas bizarras, mandá-lo para onde o sol não bate. É assim mesmo. Sempre irá haver uma sofisticada dama que morrerá de amores por um belo vagabundo.”

A dama e o Vagabundo.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

”(…) Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem: que ele não ame com coragem. Pode ter os maiores defeitos, atrasar-se para os compromissos, jogar futebol no sábado com os amigos, soltar gargalhada de hiena, pentear-se com franjinha, ter pêlos nas costas e no pescoço, usar palito de dente, trocar os talheres de um momento para outro. Qualquer coisa é admitida, menos que não ame com coragem.
Amar com coragem não é viver com coragem. É bem mais do que estar aí. Amar com coragem não é questão de estilo, de gosto, de opinião. Não se adquire com a família, surge de uma decisão solitária. Amar com coragem é caráter. Vem de uma obstinação que supera a lealdade. Vem de uma incompetência de ser diferente. Amar para valer, para dar torcicolo. Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar, para fugir, para não nadar até o começo do corpo. Não usar atenuantes como “estou confuso”. Não se diminuir com a insegurança, mas se aumentar com a insegurança. Não se retrair perante os pais. Não desmarcar um amor pela amizade. Não esquecer de comentar pelo receio de ser incompreendido. Não esquecer de repetir pela ânsia da claridade. Amar como se não houvesse tempo de amar. Amar esquisito, de lado, ainda amar. Amar atrasado, com a respiração antecipando o beijo. Amar com fúria, com o recalque de não ter sido assim antes. Amar decidido, obcecado, como quem troca de identidade e parte a um longo exílio. Amar como quem volta de um longo exílio.
(…)
Amar com coragem, só isso.”

Fabrício Carpinejar.


- Coragem, é uma palavra que não existe no seu dicionário.

“Amar é querer estar perto, se longe; e mais perto, se perto.”


Tudo que parece meio bobo é sempre muito bonito, porque não tem complicação. Coisa simples é lindo. E existe muito pouco. É que vezenquando dá uma saudade na gente dessas coisas. São todas coisas simples. Meio bobas, muito bonitas.

Caio Fernando Abreu.

sábado, 24 de julho de 2010

Trocando em Miúdos

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim, não me valeu.
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!
O resto é seu.

Trocando em miúdos, pode guardar,
As sobras de tudo que chamam lar,
As sombras de tudo que fomos nós,
As marcas de amor nos nossos lençóis,
As nossas melhores lembranças.

Aquela esperança de tudo se ajeitar, pode esquecer!
Aquela aliança, você pode empenhar ou derreter.

Mas devo dizer que não vou lhe dar,
O enorme prazer de me ver chorar.
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago,
Meu peito tão dilacerado.

Aliás,
Aceite uma ajuda do seu futuro amor pro aluguel.
Devolva o Neruda que você me tomou, e nunca leu!

Eu bato o portão sem fazer alarde,
Eu levo a carteira de identidade.
Uma saideira, muita saudade
e a leve impressão de que já vou tarde.

(Francis Hime/Chico Buarque - 1978)

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&hl=en&v=hn4JyodL7K4&gl=US

Chico de Hollanda, de aqui e de alhures.

"Parceiro de euforias e desventuras, amigo de todos os segundos, generosidade sistemática, silêncios eloquentes, palavras cirúrgicas, humor afiado, serenas firmezas, traquinas, as notas na polpa dos dedos, o verbo vadiando na ponta da língua - tudo à flor do coração, em carne viva... Cavalo de sambistas, alquimistas, menestréis, mundanas, olhos roucos, suspiros nômades, a alma à deriva, Chico Buarque não existe, é uma ficção - saibam.
Inventado porque necessário, vital, sem o qual o Brasil seria mais pobre, estaria mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção."

Ruy Guerra, cineasta e escritor, outubro de 1998.

Tudo tem um fim. E nós, como tudo na vida, chegamos ao nosso fim. Não posso fazer mais nada. Não quero fazer mais nada que me faça sofrer. Dei o que pude. Tirei a pele para te aquecer nos dias em que o frio te congelava o coração. Baixei as defesas para te fazer ganhar. Levei-te ao colo nas tuas mais importantes batalhas. Levantei-te de cada vez que caiste. Te estendie a mão quando erraste. Deixei-te entrar no meu mundo como mais ninguém entrou. Fui o teu porto de abrigo sempre que o mar dos teus sentimentos estava demasiado, revolto para te aventurares. Fui a tua âncora de todas as vezes que quiseste descansar. Estive sempre de braços abertos para ti. E o que é que fizeste com tudo isso?

www.fotolog.com/narizinhooow

sexta-feira, 23 de julho de 2010

À uma bailarina que não podia chorar.

Eu conheci uma dançarina. Foi em uma das minhas aventuras, não me lembro bem como foi. Dançamos juntos por um tempo, meus passos lentos e modestos de nada valiam. A dançarina me encantou. Tinha os cabelos negros e ondulados, que não paravam quietos. Trocavam de posição após cada passo. A dançarina me encantou.
A encontrei pela ultima vez em um grande baile, conheci várias pessoas nesse dia. A bailarina tinha grandes amigas, que nunca lhe deixavam só.
Ela ria não só com a face. Gargalhavam todas juntas, às vezes por minutos, sem cessar. O seu sorriso me deixava feliz, então o guardei na memória. Assim como a guardei.
Um bom tempo depois, voltei ao baile. Não encontrei a bailarina. Me contaram que ela não podia mais dançar, que estava triste, e não tinha mais aparecido no baile. Custei a acreditar.
Pedi seu número – suas amigas me deram receosas- demorei dois ou três dias para ligar, não sabia o que falar,nem se ela lembrava de mim. Mas eu liguei. Acho que ela chorava, sua voz estava estranha.- ela lembrou de mim- mas isso não a deixou menos triste. Conversamos por um tempo, não sei com que direito e com que intimidade a pedi pra não chorar mais. Era um momento difícil para ela. Não podia fazer o que mais amava. Era como um pássaro que não pudesse voar. Mas mesmo assim, eu pedi. Ela concordou. Creio que chorou após o telefonema. Mas acho que lembrava do acordo, ela não podia chorar. Pelo menos assim eu pensava. Acho que funcionou. Um dia ela me disse que estava feliz. Me senti feliz. Senti saudade da dançarina.
Dias depois, voltei a ligar. Ela não atendeu. Voltei a ligar ela não atendeu. Confesso que quase chorei. Logo peguei minha viola, como de costume. Abri a janela do quarto, a lua estava cheia, o céu todo claro. Toquei quatro ou cinco músicas; meu curto repertório estava no fim. Me lembrei da primeira música que aprendi a tocar; a toquei. Falava sobre desejo. Eu desejava tanta coisa. Na última nota da canção uma estrela cadente risca o céu. Não pensei duas vezes antes de lhe pedir algo. Nunca acreditei nestes misticismos, mas eu precisava acreditar. Pedi por ela. Sim, Por ela. Pedi pra que voltasse à rir e a dançar.
No outro dia voltei a ligar, outra pessoa atendeu, ela tinha ido ao baile. Me arrumei rapidamente e fui ao baile.
Ela estava lá. Dançando, rindo, com toda a alegria do mundo. Como nunca tinha feito. Não fui em sua direção, apenas sentei e observei. Ela não cansava. Seu sapato cansou, ela o tirou, e continuou a dançar. Até mesmo depois do baile se acabar.
Ela não me viu. Eu já tinha conseguido o que queria. Me apaixonei pela dançarina. Mas eu sabia que nunca mais a veria. Então fui até a janela novamente, precisava pedir mais uma vez às estrelas. Pedir para esquecê-la. Toquei a mesma canção por dezenas de vezes. O céu não se mexeu naquela noite. Nunca mais eu vi uma estrela igual aquela. Nem uma bailarina.

Por Thiago Fraga
http://linhascontadas.blogspot.com