Eu conheci uma dançarina. Foi em uma das minhas aventuras, não me lembro bem como foi. Dançamos juntos por um tempo, meus passos lentos e modestos de nada valiam. A dançarina me encantou. Tinha os cabelos negros e ondulados, que não paravam quietos. Trocavam de posição após cada passo. A dançarina me encantou.
A encontrei pela ultima vez em um grande baile, conheci várias pessoas nesse dia. A bailarina tinha grandes amigas, que nunca lhe deixavam só.
Ela ria não só com a face. Gargalhavam todas juntas, às vezes por minutos, sem cessar. O seu sorriso me deixava feliz, então o guardei na memória. Assim como a guardei.
Um bom tempo depois, voltei ao baile. Não encontrei a bailarina. Me contaram que ela não podia mais dançar, que estava triste, e não tinha mais aparecido no baile. Custei a acreditar.
Pedi seu número – suas amigas me deram receosas- demorei dois ou três dias para ligar, não sabia o que falar,nem se ela lembrava de mim. Mas eu liguei. Acho que ela chorava, sua voz estava estranha.- ela lembrou de mim- mas isso não a deixou menos triste. Conversamos por um tempo, não sei com que direito e com que intimidade a pedi pra não chorar mais. Era um momento difícil para ela. Não podia fazer o que mais amava. Era como um pássaro que não pudesse voar. Mas mesmo assim, eu pedi. Ela concordou. Creio que chorou após o telefonema. Mas acho que lembrava do acordo, ela não podia chorar. Pelo menos assim eu pensava. Acho que funcionou. Um dia ela me disse que estava feliz. Me senti feliz. Senti saudade da dançarina.
Dias depois, voltei a ligar. Ela não atendeu. Voltei a ligar ela não atendeu. Confesso que quase chorei. Logo peguei minha viola, como de costume. Abri a janela do quarto, a lua estava cheia, o céu todo claro. Toquei quatro ou cinco músicas; meu curto repertório estava no fim. Me lembrei da primeira música que aprendi a tocar; a toquei. Falava sobre desejo. Eu desejava tanta coisa. Na última nota da canção uma estrela cadente risca o céu. Não pensei duas vezes antes de lhe pedir algo. Nunca acreditei nestes misticismos, mas eu precisava acreditar. Pedi por ela. Sim, Por ela. Pedi pra que voltasse à rir e a dançar.
No outro dia voltei a ligar, outra pessoa atendeu, ela tinha ido ao baile. Me arrumei rapidamente e fui ao baile.
Ela estava lá. Dançando, rindo, com toda a alegria do mundo. Como nunca tinha feito. Não fui em sua direção, apenas sentei e observei. Ela não cansava. Seu sapato cansou, ela o tirou, e continuou a dançar. Até mesmo depois do baile se acabar.
Ela não me viu. Eu já tinha conseguido o que queria. Me apaixonei pela dançarina. Mas eu sabia que nunca mais a veria. Então fui até a janela novamente, precisava pedir mais uma vez às estrelas. Pedir para esquecê-la. Toquei a mesma canção por dezenas de vezes. O céu não se mexeu naquela noite. Nunca mais eu vi uma estrela igual aquela. Nem uma bailarina.
Por Thiago Fraga
http://linhascontadas.blogspot.com
E mesmo assim ele abandona o blog. Vai entender?!
ResponderExcluirAmor por você.
Eu morro sempre leio esse texto :O
ResponderExcluirXero meu xuxu :**